Dizem que escrever o início é mais difícil que vislumbrar o fim. É verdade. Confesso que pensei muito sobre o primeiro post. Acima de tudo porque pretendo dar um motivo a todos aqueles que visitam o blog pela primeira vez, para voltarem um dia mais tarde.

Histórias. Reflexões. Opiniões susceptíveis de serem contrariadas ou colocadas ao dispor do ridículo e da ironia. No mundo da realidade tudo vale, até mesmo os pormenores mais intímos dos visionários ou das mentes distorcidas. Não quero por isso, ter razão. Quem, no seu perfeito juízo pode afirmar com tamanha convicção aquela frase tão popular “Viste? Eu tinha razão”.

Eu escrevo sobre o passado. As recordações que ficaram, armazenadas e prontas a serem de novo visualizadas em formato 3d, a cores ou preto branco. É o que a nostalgia oferece. A possibilidade de reviver momentos sob todas as perspectivas, inovação essa que no devido espaço e tempo, não estava ainda disponível e ao serviço dos intervenientes da recordação.

Eu escrevo sobre o presente. As percepções do dia-a-dia , as reacções espontâneas, o desiquilíbrio das rotinas e do óbvio, o equilíbrio das sete notas musicais. O convite dos ponteiros do relógio para uma dança tranquila e pausada, onde os cenários e paisagens mudam intensamente, oferecendo uma dinâmica enganadora. Isto porque, quando a orquestra pára de tocar, olhamos à volta e estamos exactamente no ponto de partida.

Eu escrevo sobre o futuro. As visões que tenho, os sonhos que me fazem acreditar, a ambição que me transporta para um lugar onde tudo começa a fazer sentido. As incertezas e as longas esperas, por algo que até pode nem vir a acontecer… O destino está traçado, e pouco há a fazer em relação a isso. Resta-nos aprender.

Eu escrevo sobre mim. Sobre os outros. Sobre nada e sobre tudo. E tal como no mito de Orfeu, enquanto houver uma canção para compor e tocar, estará sempre à nossa frente um caminho para seguir. 

Obrigado.

Tiago Nobre Dias